Resposta rápidaO ponto de equilíbrio do caminhão é o custo fixo do mês dividido pelo que sobra de cada km rodado, depois de pagar o custo variável. No exemplo, com R$ 14.500,00 de fixos e R$ 2,57 de sobra por km, o caminhão precisa rodar cerca de 5.642 km por mês só para não perder dinheiro. Cada km além disso é resultado.
O que é o ponto de equilíbrio do caminhão
É a quantidade de quilômetros que o caminhão precisa rodar no mês para a receita igualar o custo. Abaixo dela, o mês fecha no prejuízo; acima, sobra dinheiro. A conta existe porque parte do custo não depende de rodar: a parcela, o seguro, o IPVA e o salário do motorista chegam todo mês, com o caminhão na estrada ou parado.
A pergunta que a conta responde é simples: quanto esse caminhão precisa rodar para se pagar? Se a resposta passa do que ele consegue rodar, o problema não é falta de serviço: é frete baixo ou custo alto, e trabalhar mais só aumenta a perda.
A fórmula: custo fixo ÷ (frete por km − custo variável por km)
O que sobra de cada km depois de pagar diesel, pneu e manutenção é a margem de contribuição por km (a parte do frete que ajuda a pagar os custos fixos). O equilíbrio é onde essas sobras somadas pagam o fixo do mês.
Custos fixos de R$ 14.500,00 por mês, custo variável de R$ 3,63 por km e frete médio de R$ 6,20 por km rodado. O caminhão roda 9.000 km por mês.
Dos 9.000 km, os primeiros 5.642 pagam o custo fixo. Os 3.358 km seguintes entregam os R$ 8.630,00 de resultado. Use o frete médio por km rodado, não o carregado: se o caminhão volta vazio, a receita do mês dividida por todos os km já traz a volta na conta.
O que acontece quando o frete cai alguns centavos
A sobra por km é pequena perto do frete, e é ela que sustenta a conta. Uma queda de centavos no frete faz o equilíbrio subir muito:
| Frete médio por km | Sobra por km | Equilíbrio | Resultado com 9.000 km |
|---|---|---|---|
| R$ 6,20 | R$ 2,57 | 5.642 km | R$ 8.630,00 |
| R$ 5,40 | R$ 1,77 | 8.192 km | R$ 1.430,00 |
| R$ 5,00 | R$ 1,37 | 10.584 km | − R$ 2.170,00 |
Com R$ 0,80 a menos por km, o equilíbrio vai de 5.642 para 8.192 km, e o resultado cai de R$ 8.630,00 para R$ 1.430,00. Com R$ 1,20 a menos, o caminhão precisaria rodar 10.584 km para se pagar, mais do que consegue: é prejuízo mesmo rodando o mês inteiro. É o que a média escondia, e é o argumento para calcular o frete mínimo antes de aceitar a carga.
O que entra no custo fixo e no variável
A divisão que importa é entre o que existe sem rodar e o que cresce com o km:
- Fixo: parcela do financiamento, seguro (veja o seguro de carga), IPVA e licenciamento rateados por mês, salário e encargos do motorista, rastreador, contador e a depreciação, se você a contar.
- Variável: diesel (preço por litro ÷ média em km/L; veja a média de consumo), Arla 32, pneus, manutenção por km e a comissão, se ela é uma porcentagem do frete.
Se o motorista ganha comissão e não salário, a comissão é variável e o fixo cai. Se o caminhão é próprio e quitado, a parcela some, mas a depreciação e o capital parado continuam existindo. O MEI e o autônomo sem CNPJ têm tributos e contribuições que também entram no fixo: veja o guia do MEI Caminhoneiro.
Como usar o resultado para decidir
- Compare o equilíbrio com a rodagem real. Se o equilíbrio passa de 80% do que o caminhão roda, qualquer atraso, estadia ou manutenção fora do previsto vira prejuízo.
- Calcule o frete que deixa folga. Ponha o frete por km na calculadora de frete mínimo com a margem que você quer.
- Corte o que é fixo antes do que é variável quando o equilíbrio estiver alto: renegociar parcela, seguro e rastreador mexe no mês inteiro.
- Refaça a conta todo mês. O diesel e o frete mudam, e o equilíbrio muda junto. A calculadora de reajuste pelo diesel mostra quanto o frete precisa subir quando o combustível sobe.
Faça essa conta com os números da sua frota
Esta calculadora faz a conta de uma situação. O FroX guarda cada viagem e cada despesa para a conta sair sozinha, caminhão por caminhão.