1. Início
  2. Guias
  3. Margem por viagem

Margem por viagem: como fechar a conta do frete

Equipe Gestão de Frotas BrasilAtualizado em 15 de outubro de 20267 min de leitura

Resposta rápidaMargem por viagem é o que sobra do frete depois de pagar o que a própria viagem consumiu: frete − diesel − pedágio − comissão − manutenção por km − outras despesas. Dividida pelo frete, vira porcentagem. A conta só é honesta quando inclui a volta: um retorno vazio pode levar quase tudo o que a ida deixou.

O que é margem por viagem

Margem por viagem é o resultado de uma viagem depois de descontar do frete todos os gastos que ela gerou. Se o caminhão recebeu R$ 7.800,00 e a viagem custou R$ 7.346,00 entre ida e volta, a margem é de R$ 454,00, ou 5,8% do frete.

É o número que separa o frete que paga a operação do frete que só movimenta dinheiro. Faturamento alto com margem baixa significa caminhão rodando muito para sobrar pouco, e isso só aparece quando cada viagem é fechada separadamente, em vez de olhar o saldo do mês.

A margem por viagem é diferente do lucro da empresa. Ela mostra quanto cada viagem contribui para pagar os custos fixos (parcela do caminhão, seguro, IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores), salário fixo, escritório). Só depois de cobrir esses fixos é que existe lucro.

A conta da viagem fechada, linha por linha

Feche a viagem só depois do retorno, com os comprovantes na mão. A ordem abaixo ajuda a não esquecer nada:

  1. Frete: o valor contratado, o mesmo que vai no CT-e (Conhecimento de Transporte eletrônico). Se houve desconto por avaria, atraso ou taxa de antecipação do pagamento, use o valor que de fato entrou.
  2. Diesel: litros abastecidos na viagem vezes o preço pago. Sem os cupons, estime pela distância dividida pela média km/L do próprio caminhão.
  3. Pedágio: na viagem carregada, o pagamento é do embarcador pelo vale-pedágio obrigatório (Lei 10.209/2001), que não integra o frete. Entra como custo só o que saiu do seu bolso.
  4. Comissão do motorista: percentual sobre o frete ou valor fixo por viagem, conforme o combinado.
  5. Manutenção por km: pneus, revisões e peças não são gastos da viagem do dia, mas cada quilômetro gasta uma parte deles. Use o seu custo de manutenção por km vezes os quilômetros rodados.
  6. Outras: Arla 32, diária e alimentação, chapa ou descarga, estacionamento, lavagem.

Resultado = frete − soma das linhas 2 a 6. Margem % = resultado ÷ frete × 100.

Exemplo: a ida parece ótima, a viagem inteira nem tanto

Exemplo ilustrativo: a ida carregada

Um frete de 960 km, carreta com média de 2,4 km/L carregada e diesel a R$ 6,20. Comissão de 12% sobre o frete, manutenção provisionada a R$ 0,55 por km e pedágio coberto pelo vale-pedágio do embarcador. Todos os números são ilustrativos.

FreteR$ 7.800,00
Diesel (400 L × R$ 6,20)− R$ 2.480,00
Comissão (12%)− R$ 936,00
Manutenção (960 km × R$ 0,55)− R$ 528,00
Outras (Arla 32, diária, descarga)− R$ 380,00
Sobra da idaR$ 3.476,00 (44,6%)

Olhando só a ida, a viagem deixa quase metade do frete. Agora a volta, sem carga:

Exemplo ilustrativo: o retorno vazio

Os mesmos 960 km de volta, com média melhor por estar vazio (3,0 km/L). Sem carga não há vale-pedágio nem comissão, e o pedágio sai do caixa.

Sobra da idaR$ 3.476,00
Diesel (320 L × R$ 6,20)− R$ 1.984,00
Manutenção (960 km × R$ 0,55)− R$ 528,00
Pedágio da volta− R$ 310,00
Outras (diária, alimentação)− R$ 200,00
Sobra da viagem inteiraR$ 454,00 (5,8%)

A volta vazia consumiu R$ 3.022,00, 87% do que a ida tinha deixado. É por isso que a viagem se fecha completa, nunca pela metade.

Margem em reais, em porcentagem e por quilômetro

Cada forma de olhar a margem responde a uma pergunta diferente:

  • Em reais diz quanto a viagem contribuiu para pagar os fixos do mês. No exemplo, R$ 454,00.
  • Em porcentagem permite comparar viagens de tamanhos diferentes. Um frete curto com 20% pode valer mais a pena que um longo com 6%.
  • Por quilômetro rodado, contando a volta, conversa com o seu custo por km. No exemplo, R$ 454,00 ÷ 1.920 km dá cerca de R$ 0,24 por km.

O teste final usa o último número: se a sobra por km não cobre o custo fixo por km do caminhão (parcela, seguro, IPVA e salário rateados pela quilometragem do mês), a viagem pagou o diesel e deixou o caminhão no prejuízo. A calculadora de custo por km ajuda a achar esse fixo por km.

Retorno vazio: a metade da viagem que não aparece no CT-e

A regra da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) obriga o contratante a pagar o retorno vazio só em casos específicos: transporte de contêineres e frotas dedicadas ou fidelizadas por razões sanitárias ou por certificações que limitam o que o veículo pode levar. Nesses casos, o valor é 92% do CCD (coeficiente de custo de deslocamento) da composição vezes a distância de volta (Resolução ANTT 5.867/2020, art. 3º e art. 5º). Detalhes no guia do piso mínimo de frete.

Fora desses casos, a volta é problema de quem roda. Há três caminhos, e todos começam pela conta acima:

  • conseguir frete de retorno, mesmo que menor, porque qualquer valor acima do diesel e do pedágio da volta já melhora a viagem;
  • embutir parte da volta no preço da ida quando a rota costuma voltar vazia;
  • recusar a viagem quando a sobra da ida não cobre a volta.

O que quase sempre fica de fora

Quem fecha a viagem de cabeça tende a esquecer os mesmos itens:

  • Tempo parado. Fila de carga, espera na descarga e pernoite fora do plano gastam diária e seguram o caminhão. Se o contrato prevê estadia, cobre; a calculadora de estadia faz a conta.
  • Desgaste. Pneu e revisão não aparecem no dia, mas cada viagem gastou uma parte. Por isso a manutenção entra por km.
  • Desconto no recebimento. Taxa de antecipação, abatimento por avaria ou quebra de peso reduzem o frete que entrou.
  • Multa e imprevisto. Multa de trânsito, socorro e borracharia na estrada são da viagem em que aconteceram.
  • Quilometragem real. Desvio, rota alternativa e deslocamento até o ponto de carga entram na distância.

Como acompanhar a margem de cada viagem

O mínimo é uma linha por viagem com data, caminhão, rota, quilômetros (ida e volta), frete e cada despesa da lista. Feche a viagem assim que o caminhão volta, enquanto os comprovantes estão à mão; viagem fechada um mês depois perde cupom e vira estimativa.

Com algumas semanas de histórico, compare rotas, clientes e caminhões. A pergunta útil é "qual rota sobra mais por km rodado, contando a volta", e não "qual frete é maior".

O FroX registra cada viagem com as despesas lançadas e mostra o resultado e a margem dela, caminhão por caminhão. Para testar um frete antes de aceitar, use a calculadora desta página.

Faça essa conta com os números da sua frota

A calculadora de margem do portal mostra o resultado de uma viagem em segundos. O FroX guarda cada viagem e cada despesa para a conta sair sozinha, caminhão por caminhão.

Perguntas frequentes

Como calcular a margem de lucro de um frete?
Subtraia do frete o diesel, o pedágio pago por você, a comissão do motorista, a manutenção por km e as outras despesas da viagem, incluindo a volta. Divida o resultado pelo frete e multiplique por 100. Os custos fixos do caminhão ainda precisam sair dessa sobra.
Qual é uma boa margem por viagem de caminhão?
Não existe percentual único que sirva para toda rota e todo veículo. A referência certa é a sua: a sobra da viagem, dividida pelos km rodados com a volta, precisa ser maior que o custo fixo por km do caminhão. Se ficar abaixo, a viagem não pagou a operação.
Pedágio entra no custo da viagem?
Na viagem carregada, o pedágio é do embarcador, que antecipa o vale-pedágio obrigatório (Lei 10.209/2001), e ele não faz parte do frete. Entra como custo o pedágio que você pagou: o da volta vazia ou o que o embarcador não antecipou.
Comissão do motorista entra na margem da viagem?
Entra. Comissão é custo que nasce da viagem e aumenta junto com o frete, então desconte-a antes de calcular a margem. O salário fixo do motorista é custo fixo e entra no custo por km do caminhão.
O contratante paga o retorno vazio?
Só em casos previstos pela ANTT: transporte de contêineres e frotas dedicadas ou fidelizadas por razões sanitárias ou certificações. Nesses casos o valor é 92% do CCD vezes a distância de retorno. Nos demais, o custo da volta precisa caber no preço negociado.