Resposta rápidaMargem por viagem é o que sobra do frete depois de pagar o que a própria viagem consumiu: frete − diesel − pedágio − comissão − manutenção por km − outras despesas. Dividida pelo frete, vira porcentagem. A conta só é honesta quando inclui a volta: um retorno vazio pode levar quase tudo o que a ida deixou.
O que é margem por viagem
Margem por viagem é o resultado de uma viagem depois de descontar do frete todos os gastos que ela gerou. Se o caminhão recebeu R$ 7.800,00 e a viagem custou R$ 7.346,00 entre ida e volta, a margem é de R$ 454,00, ou 5,8% do frete.
É o número que separa o frete que paga a operação do frete que só movimenta dinheiro. Faturamento alto com margem baixa significa caminhão rodando muito para sobrar pouco, e isso só aparece quando cada viagem é fechada separadamente, em vez de olhar o saldo do mês.
A margem por viagem é diferente do lucro da empresa. Ela mostra quanto cada viagem contribui para pagar os custos fixos (parcela do caminhão, seguro, IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores), salário fixo, escritório). Só depois de cobrir esses fixos é que existe lucro.
A conta da viagem fechada, linha por linha
Feche a viagem só depois do retorno, com os comprovantes na mão. A ordem abaixo ajuda a não esquecer nada:
- Frete: o valor contratado, o mesmo que vai no CT-e (Conhecimento de Transporte eletrônico). Se houve desconto por avaria, atraso ou taxa de antecipação do pagamento, use o valor que de fato entrou.
- Diesel: litros abastecidos na viagem vezes o preço pago. Sem os cupons, estime pela distância dividida pela média km/L do próprio caminhão.
- Pedágio: na viagem carregada, o pagamento é do embarcador pelo vale-pedágio obrigatório (Lei 10.209/2001), que não integra o frete. Entra como custo só o que saiu do seu bolso.
- Comissão do motorista: percentual sobre o frete ou valor fixo por viagem, conforme o combinado.
- Manutenção por km: pneus, revisões e peças não são gastos da viagem do dia, mas cada quilômetro gasta uma parte deles. Use o seu custo de manutenção por km vezes os quilômetros rodados.
- Outras: Arla 32, diária e alimentação, chapa ou descarga, estacionamento, lavagem.
Resultado = frete − soma das linhas 2 a 6. Margem % = resultado ÷ frete × 100.
Exemplo: a ida parece ótima, a viagem inteira nem tanto
Um frete de 960 km, carreta com média de 2,4 km/L carregada e diesel a R$ 6,20. Comissão de 12% sobre o frete, manutenção provisionada a R$ 0,55 por km e pedágio coberto pelo vale-pedágio do embarcador. Todos os números são ilustrativos.
Olhando só a ida, a viagem deixa quase metade do frete. Agora a volta, sem carga:
Os mesmos 960 km de volta, com média melhor por estar vazio (3,0 km/L). Sem carga não há vale-pedágio nem comissão, e o pedágio sai do caixa.
A volta vazia consumiu R$ 3.022,00, 87% do que a ida tinha deixado. É por isso que a viagem se fecha completa, nunca pela metade.
Margem em reais, em porcentagem e por quilômetro
Cada forma de olhar a margem responde a uma pergunta diferente:
- Em reais diz quanto a viagem contribuiu para pagar os fixos do mês. No exemplo, R$ 454,00.
- Em porcentagem permite comparar viagens de tamanhos diferentes. Um frete curto com 20% pode valer mais a pena que um longo com 6%.
- Por quilômetro rodado, contando a volta, conversa com o seu custo por km. No exemplo, R$ 454,00 ÷ 1.920 km dá cerca de R$ 0,24 por km.
O teste final usa o último número: se a sobra por km não cobre o custo fixo por km do caminhão (parcela, seguro, IPVA e salário rateados pela quilometragem do mês), a viagem pagou o diesel e deixou o caminhão no prejuízo. A calculadora de custo por km ajuda a achar esse fixo por km.
Retorno vazio: a metade da viagem que não aparece no CT-e
A regra da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) obriga o contratante a pagar o retorno vazio só em casos específicos: transporte de contêineres e frotas dedicadas ou fidelizadas por razões sanitárias ou por certificações que limitam o que o veículo pode levar. Nesses casos, o valor é 92% do CCD (coeficiente de custo de deslocamento) da composição vezes a distância de volta (Resolução ANTT 5.867/2020, art. 3º e art. 5º). Detalhes no guia do piso mínimo de frete.
Fora desses casos, a volta é problema de quem roda. Há três caminhos, e todos começam pela conta acima:
- conseguir frete de retorno, mesmo que menor, porque qualquer valor acima do diesel e do pedágio da volta já melhora a viagem;
- embutir parte da volta no preço da ida quando a rota costuma voltar vazia;
- recusar a viagem quando a sobra da ida não cobre a volta.
O que quase sempre fica de fora
Quem fecha a viagem de cabeça tende a esquecer os mesmos itens:
- Tempo parado. Fila de carga, espera na descarga e pernoite fora do plano gastam diária e seguram o caminhão. Se o contrato prevê estadia, cobre; a calculadora de estadia faz a conta.
- Desgaste. Pneu e revisão não aparecem no dia, mas cada viagem gastou uma parte. Por isso a manutenção entra por km.
- Desconto no recebimento. Taxa de antecipação, abatimento por avaria ou quebra de peso reduzem o frete que entrou.
- Multa e imprevisto. Multa de trânsito, socorro e borracharia na estrada são da viagem em que aconteceram.
- Quilometragem real. Desvio, rota alternativa e deslocamento até o ponto de carga entram na distância.
Como acompanhar a margem de cada viagem
O mínimo é uma linha por viagem com data, caminhão, rota, quilômetros (ida e volta), frete e cada despesa da lista. Feche a viagem assim que o caminhão volta, enquanto os comprovantes estão à mão; viagem fechada um mês depois perde cupom e vira estimativa.
Com algumas semanas de histórico, compare rotas, clientes e caminhões. A pergunta útil é "qual rota sobra mais por km rodado, contando a volta", e não "qual frete é maior".
O FroX registra cada viagem com as despesas lançadas e mostra o resultado e a margem dela, caminhão por caminhão. Para testar um frete antes de aceitar, use a calculadora desta página.
Faça essa conta com os números da sua frota
A calculadora de margem do portal mostra o resultado de uma viagem em segundos. O FroX guarda cada viagem e cada despesa para a conta sair sozinha, caminhão por caminhão.